Lembras-te do caderno que em
tempos me ofereceste? Íamos a passear mas os nossos olhos pararam ao mesmo
tempo na montra para observá-lo. Eu disse: “Quero!”. Fizeste um silêncio excessivamente
prolongado e disseste: “Não tinhas que dizer. É a tua cara, ofereço-te!”. Alice
au pays des merveilles. Pediste-me para ficares com o caderno antes de formalizares
a oferta. Eu esperei. Sabia esperar porque a espera compensava, sempre. As
tuas palavras a ocuparem as primeiras páginas compensaram.
E o que escreveste foi qualquer coisa como:
“Por alguma razão, este
caderno captou logo a minha atenção e a tua. Vou-te dizer o que fez comigo: fez
ver nesta capa algo de TEU!
À primeira vista, vi nele
uma menina com ar frágil, que a chuva insiste em empurrar para o chão e se está
a erguer.
Ela ergue-se, é isso que
mostram os seus olhos!
O seu rosto permite ver um
largo interior, cheio de força, para lá da beleza exterior.
Quando se olha para ti,
vê-se, para lá de um rosto lindo e uma aparente fragilidade de menina, algo de
mais profundo. Eu vou-te descobrindo, uma mulher forte, que olha o mundo de uma
forma bonita e pura e quer muito ser FELIZ! E que quer muito ser FELIZ COMIGO
(sim! Sei isso agora!).
De alguma forma
inexplicável, eu vi tudo isso quanto te conheci, vi isso pelos teus olhos, como
os olhava e a forma como eles me olhavam de volta. Para onde eu ainda hoje
gosto recorrentemente de olhar! É lá que vejo o teu mundo, que me apaixona.
Vejo o mundo das cores que
consegues ver, vejo porque gostas de caixas de música, vejo porque gostas de
chocolate, vejo porque gostas dos bifes com batatas fritas dos teus avós, vejo
porque gostas de fotografia, vejo porque gostas de coisas sensíveis, vejo a tua
sensibilidade, vejo a tua paixão (cont.)”
(2 páginas depois)
“(cont.) vejo o teu amor
para mim e por mim, vejo a tua enorme força, VEJO-TE! AMO-TE!
Sabia que ia ser muito
difícil entrar no teu mundo, soube desde o primeiro dia, mas hoje sentado a
escrever estas linhas, tenho um sorriso rasgado e feliz.
Estamos ligados, estamos
juntos, estamos felizes!
As primeiras linhas foram
minhas, as restantes que sejam tuas, que sejam felizes e que eu tenha uma grande
parte a ver com isso!
Amo-te muito!
Meu amor!
P.S. Como reparaste a Joana
participou (LOL). Quando eu estava a escrever, ela perguntou-me o que eu estava
a fazer. Eu disse-lhe que estava a escrever neste caderno porque gostava muito
de ti. Ela disse que também queria escrever e fazer um desenho porque gosta
muito de ti. As páginas anteriores são da sua total autoria J”
(Fim)
Hoje contei todas as páginas que
me deixaste para escrever. E multipliquei todas as linhas de uma história que
ficou por contar. 110 páginas em branco com 28 linhas vazias, cada. Frente e
verso. Achas pouco? Fomos frente e fomos verso.
Fomos princípio, meio e fim.

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