quinta-feira, novembro 15, 2012

Uma história com princípio, meio e fim.




Lembras-te do caderno que em tempos me ofereceste? Íamos a passear mas os nossos olhos pararam ao mesmo tempo na montra para observá-lo. Eu disse: “Quero!”. Fizeste um silêncio excessivamente prolongado e disseste: “Não tinhas que dizer. É a tua cara, ofereço-te!”. Alice au pays des merveilles. Pediste-me para ficares com o caderno antes de formalizares a oferta. Eu esperei. Sabia esperar porque a espera compensava, sempre. As tuas palavras a ocuparem as primeiras páginas compensaram. 

E o que escreveste foi qualquer coisa como:

“Por alguma razão, este caderno captou logo a minha atenção e a tua. Vou-te dizer o que fez comigo: fez ver nesta capa algo de TEU!
À primeira vista, vi nele uma menina com ar frágil, que a chuva insiste em empurrar para o chão e se está a erguer.
Ela ergue-se, é isso que mostram os seus olhos!
O seu rosto permite ver um largo interior, cheio de força, para lá da beleza exterior.
Quando se olha para ti, vê-se, para lá de um rosto lindo e uma aparente fragilidade de menina, algo de mais profundo. Eu vou-te descobrindo, uma mulher forte, que olha o mundo de uma forma bonita e pura e quer muito ser FELIZ! E que quer muito ser FELIZ COMIGO (sim! Sei isso agora!).
De alguma forma inexplicável, eu vi tudo isso quanto te conheci, vi isso pelos teus olhos, como os olhava e a forma como eles me olhavam de volta. Para onde eu ainda hoje gosto recorrentemente de olhar! É lá que vejo o teu mundo, que me apaixona.
Vejo o mundo das cores que consegues ver, vejo porque gostas de caixas de música, vejo porque gostas de chocolate, vejo porque gostas dos bifes com batatas fritas dos teus avós, vejo porque gostas de fotografia, vejo porque gostas de coisas sensíveis, vejo a tua sensibilidade, vejo a tua paixão (cont.)”
(2 páginas depois)
“(cont.) vejo o teu amor para mim e por mim, vejo a tua enorme força, VEJO-TE! AMO-TE!
Sabia que ia ser muito difícil entrar no teu mundo, soube desde o primeiro dia, mas hoje sentado a escrever estas linhas, tenho um sorriso rasgado e feliz.
Estamos ligados, estamos juntos, estamos felizes!
As primeiras linhas foram minhas, as restantes que sejam tuas, que sejam felizes e que eu tenha uma grande parte a ver com isso!
Amo-te muito!
Meu amor!
P.S. Como reparaste a Joana participou (LOL). Quando eu estava a escrever, ela perguntou-me o que eu estava a fazer. Eu disse-lhe que estava a escrever neste caderno porque gostava muito de ti. Ela disse que também queria escrever e fazer um desenho porque gosta muito de ti. As páginas anteriores são da sua total autoria J

(Fim)

Hoje contei todas as páginas que me deixaste para escrever. E multipliquei todas as linhas de uma história que ficou por contar. 110 páginas em branco com 28 linhas vazias, cada. Frente e verso. Achas pouco? Fomos frente e fomos verso. 

Fomos princípio, meio e fim.

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