quinta-feira, novembro 15, 2012

estás deitado ao meu lado. pediste-me para partir só de manhã. estou sozinha, deitada ao teu lado. a cama é um monstro que me agarra e me afunda e eu já não reconheço as proporções do meu corpo. quero permanecer mas sei que não pertenço mais. o silêncio da noite. a noite. o olhar fixo no tecto. o silêncio roda e a noite acumula-se no tecto que me esmaga. sinto-me tonta. procuras a minha mão debaixo dos lençóis. eu não agarro. afastas-te. eu procuro-te e abraço-te os ombros. murmuras: "estamos a ficar loucos". volto para o meu lado da cama. não sei mais qual é o meu lado da cama. quero acordar ou dormir para sempre. está frio e eu não sei se consigo esperar pela manhã. um avião levanta voo para me lembrar que devo partir. também eu queria atravessar a atmosfera terrestre. não sei se consigo esperar pela manhã. desculpa, tenho de ir.

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