Lembro-me de como me seduziste,
da chuva a cair nos nossos corpos que ainda não se conheciam mas que se
agarraram debaixo de um guarda-chuva, caminhando juntos até um bar perdido em
Alfama, para ouvir a banda sonora do Pulp Fiction entre palavras nervosas e
cheias de desejo. Lembro-me do significado que a chuva passou a ter para nós,
depois dessa noite.
Lembro-me de como odiávamos os
domingos porque significava que eu tinha que partir. Costumávamos sempre
discutir às segundas porque segunda era demasiado longe de sexta. Costumávamos
sorver o fim-de-semana num só gole, apaixonadamente, porque sexta morava
demasiado perto de segunda.
Lembro-me de desejarmos passar
todas as 4 estações do ano juntos, para descobrir os diferentes cheiros da
casa, as diferentes paisagens da janela que dava para o Panteão, a
transformarem-se consoante estivesse frio ou calor.
Porque para esquecer é preciso
lembrar.
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