sábado, março 09, 2013



Lembro-me de como me seduziste, da chuva a cair nos nossos corpos que ainda não se conheciam mas que se agarraram debaixo de um guarda-chuva, caminhando juntos até um bar perdido em Alfama, para ouvir a banda sonora do Pulp Fiction entre palavras nervosas e cheias de desejo. Lembro-me do significado que a chuva passou a ter para nós, depois dessa noite.
Lembro-me de como odiávamos os domingos porque significava que eu tinha que partir. Costumávamos sempre discutir às segundas porque segunda era demasiado longe de sexta. Costumávamos sorver o fim-de-semana num só gole, apaixonadamente, porque sexta morava demasiado perto de segunda.
Lembro-me de desejarmos passar todas as 4 estações do ano juntos, para descobrir os diferentes cheiros da casa, as diferentes paisagens da janela que dava para o Panteão, a transformarem-se consoante estivesse frio ou calor.
Porque para esquecer é preciso lembrar.

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